Grampos revelaram ordens de “Marcola” e propina de 40 mil através de “gravatas”

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça ajudaram a polícia e ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) a desvendar como atuam em Mato Grosso do Sul os “gravatas” do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que age dentro e fora dos presídios brasileiros.

O levantamento de informações que desembocou na Operação Courrier, deflagrada na sexta-feira passada para prender investigados preventivamente e coletar provas contra os suspeitos, mostraram as existência de dois “tipos” de advogados contratados pela organização, os “de processo” e os “de recados”. Estes últimos foram alvos da investigação, não só por terem a função fazer fluir a troca de informações entre presos e levar as ordens das lideranças ao universo “extramuros”, mas também por viabilizarem o cometimento de crimes, segundo a investigação. Os “gravatas” são responsáveis pela disseminação dos “salves” – mensagens coletivas enviadas pelo PCC – e também administram contas bancárias ligadas à facção.

Conforme narrado pelo Gaeco no pedido judicial para efetuas prisões e vasculhar dezenas de endereços, tudo começou quando estranhamente, dados sobre autoridade policial do Estado foram consultadas no Sigo (Sistema Integrado de Gestão Operacional) logo após depoimento dele em ação penal. Apurações preliminares levaram a polícia até Rodrigo Pereira da Silva Correa, o então chefe de cartório da 1ª Vara de Execuções Penais de Campo Grande, e ao advogado Bruno Ghizzi.

O operador do Direito revelou à polícia que havia tido contato com Marco Antonio Arantes de Paiva, advogado Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como “Marcola”, um dos principais líderes do PCC e responsável por comandar o “braço jurídico” da facção. O narcotraficante, condenado a centenas de anos de prisão, supostamente, estava intrigado com as transferência de presos da Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira, a “Supermáxima” da Capital, para outras unidades penais, com regras “mais brandas”, e queria detalhes.

Ghizzi revelou à polícia nomes de advogados que fariam parte da “Sintonia dos Gravatas” em Mato Grosso do Sul, mas rapidamente, passou de delator a investigado.

Dentre os planos do PCC que vieram à tona ao longo das investigações, estão, por exemplo, as ordens para o cometimento de atentados contra promotores de Justiça de Goiás e Mato Grosso do Sul. Isso, supostamente, por causa da insatisfação de “Marcola” com transferências de membros da organização a presídios federais.

Em diálogos trocados entre Rodrigo e Bruno, também foram encontradas ordens do PCC para o assassinato de promotores e juízes de Minas Gerais.

A análise das mensagens interceptadas e conversas por telefone grampeadas é extensa e revela ainda rede de pagamento de propinas para no fim, beneficiar integrantes do PCC. Os valores variam muito. Há citações de depósitos de R$ 2 mil, R$ 10 mil, R$ 40 mil, pagamentos em serviços, viagens e até “em droga”, além da menção a honorários “específicos” cobrados pelos “gravatas” pelas atuações “extras”.

A operação – Na sexta-feira, Gaeco e Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), além de policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Bope (Batalhão de Operações Especiais) e da Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) foram às ruas da Capital, Dourados, Jardim e Jaraguari para cumprir um total de 38 mandados judiciais.

Além de prender 4 advogados – além de Bruno, Inaiza Herradon Ferreira, Paula Tatiane Monezzi, Thais de Oliveira Caciano -, a operação também levou para a prisão, o agente penitenciário Jonathas Wilson Moraes Cândido, Rodrigo Pereira da Silva e Kamila Mendes de Souza. Há ainda servidores da Defensoria Pública suspeitos de envolvimento no esquema.

Os alvos são investigados por integrarem organização criminosa, violação do sigilo profissional, corrupção passiva e ativa.

– CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS