Filha não quis mais viver e mãe escreve livro para salvar novas vidas

A jornalista Marília Adrien de Castro, 64 anos, tem poucas recordações sobre o que ocorreu naquele sábado de maio após receber a notícia de que a filha mais velha, Daniella de Castro Nascimento, 47 anos, havia cometido suicídio.

Em meio ao luto, Marília conseguiu reservar um tempo para abrir o coração sobre a morte da filha, o papel da família na vida de pessoas diagnosticadas com doenças psicológicas e também a importância do “Setembro Amarelo”, mês dedicado à prevenção do suicídio.

Bem sucedida, rigorosa, séria, certinha, caridosa, tímida e comprometida são alguns dos adjetivos que Marília usa para descrever a amada Dani. A médica-veterinária era uma profissional dedicada ao trabalho e à clínica que administrava em Campo Grande.

 

A mãe conta que os negócios iam bem, porém a filha, aos poucos, foi desenvolvendo a síndrome do pânico. “Ela sempre fez cirurgia, mas começou a sentir medo, chorava e tremia. Era muita ansiedade, angústia no peito e a doença foi se agravando porque os remédios não faziam efeito. Ela tomava e começava a se sentir mal”, comenta.

Nas semanas que antecederam o ocorrido, Marília criou o hábito de dormir na casa da filha todos os dias para poder fazer companhia. Na ausência dela, Daniella ficava em casa com uma funcionária da família. “Eu ficava lá direto, ela saía para trabalhar, voltava e eu continuava ali”, diz.

Após quatro meses da morte de Daniella, a jornalista tenta entender os motivos que levaram a filha a decidir não viver mais. Marília conversou com amigos, funcionários, psiquiatras e outras pessoas que faziam parte do círculo social da Dani.

Ninguém com quem ela conversou relatou indícios de que Daniella poderia cometer suicídio. “Tem coisas que eu rastreei, investiguei com a família para tentar entender o que a levou. Eu quero fazer isso não porque ela vai voltar, mas é um alento”, fala.

Realizando acompanhamento profissional, Marília relata que ficou um período após a morte da filha em estado de choque . “Eu falava, chorava, tremia durante um mês e meio. Não me lembro de algumas coisas que aconteceram. Agora estou na fase do luto de aceitação”, afirma.

Lembranças – A Daniella está presente em várias fotografias que compõem a decoração da casa da Marília. As fotos revelam não só a semelhança entre mãe e filha, mas algumas das características que a jornalista exaltou. “Ela era um mulherão, parecia uma modelo, ela era alta. Tem uma foto aqui que ela foi considerada como o ângulo do rosto perfeito”, revela.

De acordo com a jornalista, Dani decidiu ainda na infância que queria cursar medicina veterinária. “Aos nove anos eu dei um pastor alemão para ela e ela já gostava muito de bicho. Ela se formou muito cedo e era muito bem conceituada profissionalmente”, expõe.

Essas e outras recordações irão compor a biografia que Marília começou a escrever recentemente sobre a Daniella. O projeto visa ajudar em pesquisas sobre transtornos psicológicos, além de contribuir com a conscientização desse tema. “Eu estou fazendo um relato pra mandar e tentar ajudar as equipes que estudam sobre os fármacos que combatem essas doenças”, revela.

 

 

Marília faz um alerta para que a família seja um suporte para aqueles que sofrem de algum transtorno.

Nós nunca sabemos o que o outro está passando. Nós temos que quebrar esse estigma, procurar ajuda, o Setembro Amarelo é uma oportunidade para as pessoas entenderem que podem não estar bem”, conclui.

 

 

 

  • CRÉDITOS CAMPO GRANDE NEWS